Por que o mau uso do sistema de saúde agrava doenças e prejudica pacientes?

18/02/2016

Entenda o Sistema Único de saúde e evite o mau uso

As críticas ao Sistema de Saúde no Brasil já são um lugar comum por parte da população e de profissionais ligados a área. Mesmo que sempre haja algo para melhorar, infelizmente boa parte das experiências negativas e dos julgamentos feito ao sistema são resultado do uso inadequado das unidades de saúde. Entender como funciona o Sistema Único de Saúde, sua interação com os sistemas particulares e como é feita a gestão de seus recursos é fundamental para garantir sua eficiência.

Nesse artigo vamos falar sobre a diferença do trabalho de cada uma das unidades de saúde.

E entender que  elas compreendem não apenas os hospitais, mas também as Unidades Básicas de Saúde e as Unidades de Pronto Atendimento.

O que é o SUS?

O Sistema Único de Saúde surgiu em 1990 para adequar as diretrizes da saúde àquelas previstas na Constituição de 1988. Além de substituir o antigo INAMPS , o SUS é considerado como uma proposta bastante avançada e completa em termos de prestação de serviços de saúde de forma universal.

Segundo a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/90), o SUS deve observar três princípios: o da universalidade, o da integralidade e o da equidade. Além disso, ele conta com três diretrizes organizacionais, a descentralização, a regionalização e a hierarquização.

Na prática, isso significa dizer que a saúde é um direito de todos e o SUS é responsável por atender todas as demandas relacionadas a  saúde. Dessa forma, funciona como um plano de saúde que cobre tudo.

O acesso aos recursos do SUS é homogêneo. O que na prática significa dizer que todas as regiões do país e todas as camadas sociais devem ter acesso a ele.

Para suprir uma demanda de proporções tão grandes como a da população brasileira, com questões complexas em saúde e ainda garantir o atendimento a todos, as Unidades de Saúde são divididas de acordo com o nível de atenção.

Portanto apesar dessa divisão ser tão importante é desconhecida por muitos. Por isto se dirigir a um hospital universitário, como o Hospital das Clínicas em São Paulo, para tratar um quadro corriqueiro de pressão alta pode gerar problemas não apenas para o paciente, mas para o Sistema de Saúde como um todo. Sendo considerado mau uso do sistema de saúde.

Ní­veis de atenção: como são capacitadas as unidades de saúde

O SUS é composto por uma grande rede de unidades de saúde e hospitais. Fazem parte do SUS a rede de emergência e urgência, as Unidades Básicas de Saúde (UBS), as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e Hospitais Especializados e Hospitais de Alta Complexidade.

Cada uma dessas unidades é encarregada de absorver e tratar diferentes tipos de agravos a  saúde.

As divisões consideram não apenas a complexidade da doença, mas também o custo e a necessidades de uso da tecnologia. Por isso, essas unidades são divididas de acordo com ” níveis de atenção”.

Atenção primária

O nível de atenção primária é voltado a resolver a maior parte dos problemas de saúde. É através do Programa de Saúde Familiar que são tratados os problemas de saúde e doenças de baixa complexidade. Estes casos devem ser atendidos nas Unidades Básicas de Saúde UBS presentes em todos os municípios do Brasil.

Nas UBS é possível receber atendimento médico, diagnóstico e tratamento de cerca de 80% dos problemas de saúde. Nessas Unidades também é possível ter acesso a medicamentos e vacinas gratuitamente. Além disso, é nessas unidades que se faz o acompanhamento de pré-natal, hipertensos e diabéticos, entre outras doenças como tuberculose e hanseníase.

As unidades são fundamentais para aumentar a qualidade de vida da população e reduzir o encaminhamento aos hospitais.

Atenção secundária

A atenção secundária deve ser acionada quando existe a necessidade de consultas com especialistas, exames complementares e internações hospitalares por agravos que não requerem grande uso de tecnologia. O nível é composto pelas clínicas e unidades de pronto atendimento, bem como os hospitais escola. Nessas unidades são realizados tratamentos de casos crônicos e agudos de doenças.

Urgências e emergências

No nível de atenção secundário, o SUS também conta com uma rede especializada para o atendimento de emergências e urgências, composto pelas UPAs e pelo SAMU.

As UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) são aquelas que funcionam 24 horas ao dia e servem para o atendimento de urgências e emergências, que vão desde febre alta, até fraturas, cortes, infarto ou derrame. Essas unidades possuem uma infraestrutura simplificada, com raios-X, eletrocardiografia, pediatria, laboratórios de exames e leitos de observação.O objetivo  dessas unidades é desafogar os pronto socorros dos hospitais, garantindo um atendimento mais rápido de eficiente em casos de emergência.

O SAMU, por sua vez, é o serviço de atendimento móvel as urgências, que conta com profissionais da saúde e médicos especializados a dar orientações de primeiros socorros. Através do número 192 qualquer cidadão pode ter acesso ao pronto atendimento, que vai ao local do acidente ou do ocorrido.

Atenção Terciária

Atenção Terciária por sua vez, é responsável por um número menor de casos, que demandam recursos tecnológicos e atuação de sub especialidades. O nível de atenção terciária é composta pelos hospitais de grande porte, onde são necessárias intervenções de maior risco de vida e de suporte básico a vida.

Por isso, antes de se dirigir ao hospital mais próximo e reclamar da fila ou da falta de atendimento, é necessário buscar a unidade de saúde adequada ao seu atendimento. Isso ajuda na eficiência e na prestação adequada dos serviços de saúde. Evitando assim, o mau uso do sistema , essa é uma atitude que faz bem, portanto, a  saúde de todos.

Saber quando ir ao Pronto atendimento é uma forma de contribuir para o bom uso do sistema de saúde clique aqui e saiba mais.

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